O crescimento acelerado do mercado de apostas no Brasil e a deficiência na educação financeira da população foram apontados como fatores que já provocam impactos relevantes sobre famílias, empresas e economia nacional. O tema foi apresentado pelo coordenador do Núcleo de Investimentos e Mercado de Capitais da Acic, Maico Sullivan, durante reunião de diretoria da entidade, na manhã desta quarta-feira, 8.
Ao apresentar o estudo A economia da
(in)decisão, Maico chamou a atenção para o volume de recursos direcionado às plataformas de apostas e para os reflexos desse movimento
na atividade econômica. Mais de 25,2 milhões de
brasileiros realizaram apostas em plataformas legalizadas em 2025, movimentando
R$ 37 bilhões. No primeiro semestre de
2026, esse mercado já havia alcançado R$ 31 bilhões, indicando um ritmo ainda
mais acelerado de crescimento.
Segundo Maico, o dinheiro destinado às apostas deixa de circular no comércio, de formar reservas financeiras, de ser investido e reduz a capacidade de consumo das famílias. "Quando a renda entra na aposta, ela sai do comércio, da reserva, do investimento e da estabilidade familiar", destacou, ao apresentar dados que relacionam o avanço das bets ao aumento dos pedidos de autoexclusão por perda de controle e problemas de saúde mental. Enquanto 17% da população realizou apostas online em 2025, apenas 21% participaram de algum programa formal de educação financeira, e 31% dos brasileiros não possuem qualquer reserva financeira.
Maico ressaltou que as plataformas de apostas utilizam recursos tecnológicos sofisticados para estimular a permanência dos usuários, oferecendo recompensas imediatas, personalização por inteligência artificial e apostas em tempo real, especialmente no futebol. Segundo ele, trata-se de uma indústria global que movimenta mais de US$ 111 bilhões e cuja expansão tende a continuar nos próximos anos. Um dos alertas foi a possibilidade de agravamento do problema após a Copa do Mundo de Futebol de 2026. A avaliação apresentada é que o evento ampliou significativamente o número de apostadores e pode desencadear uma verdadeira epidemia de dependência em jogos, ampliando os impactos sobre a saúde mental, o orçamento das famílias e a atividade econômica nacional.
A exposição provocou forte preocupação entre os
diretores da Acic, que defenderam a necessidade de ampliar ações voltadas à
conscientização da população. A avaliação é de que a educação financeira deve
ganhar espaço não apenas nas empresas, mas também nas escolas, famílias e sociedade, como forma de reduzir decisões impulsivas e estimular uma cultura
voltada ao planejamento, à formação de patrimônio e ao investimento produtivo.
O Núcleo de Investimentos e Mercado de Capitais da
Acic,l conforme Maico Sullivan, tem justamente esse propósito: "Nossa missão é democratizar o acesso ao
mercado financeiro por meio da educação, formando investidores mais conscientes
e contribuindo para o desenvolvimento econômico regional. Entre os objetivos
estão ampliar a cultura de investimentos, reduzir decisões financeiras
impulsivas e aproximar pessoas e empresas do mercado de capitais".
Legenda: Maico durante encontro com diretores, na
manhã desta quarta, na Sala Paraná
Crédito: Assessoria