O decreto de número 20.237, que entrou em vigor em março deste ano, contribui para o município de Cascavel combater um problema antigo há muito denunciado pela Acic. O excesso de atestados médicos vinha causando enormes prejuízos a empresas dos mais diferentes segmentos e criando dificuldades a um direito importante para as pessoas que realmente precisam dele. Esse foi o assunto que trouxe para a reunião de diretoria da entidade na manhã desta quarta-feira, 3, o secretário municipal de Saúde, Ali Haidar. O encontro desta manhã foi conduzido pelo vice-presidente da associação comercial, Antonio Ruyz.
O secretário informou que ajustes foram
necessários na estrutura pública de saúde de Cascavel para que o decreto
pudesse ser colocado em prática. Entre os principais estão o destacamento de
seguranças a todas as unidades de pronto atendimento e também a instalação de dispositivos
eletrônicos, que ajudam a garantir a integridade física dos funcionários em
horário de expediente. Haidar apresentou alguns números preliminares, destacando
que, nos dois meses e dez dias de vigência do decreto, houve redução na emissão
de pelo menos dez mil atestados.
Vários mecanismos têm sido adotados para tornar o
atestado cada vez mais seguro, combatendo assim a falsificação, um dos mais
graves problemas enfrentados nessa área. A Acic por anos alertou e pediu a
adoção de medidas que pudessem, de maneira técnica e eficaz, enfrentar “a
indústria do atestado”. Ali Haidar informou que até recursos de Inteligência Artificial
têm sido empregados para tornar o documento mais seguro e garantir o benefício
a trabalhadores que realmente necessitam dele. O secretário também falou dos
mais de R$ 141 milhões em investimentos em obras na área da saúde no município.
O que diz o decreto
O decreto 20.237, publicado em 21 de março de
2026, institui diretrizes para a emissão de atestados médicos e declarações de
comparecimento ou acompanhamento nas UPAs e demais unidades da Secretaria
Municipal de Saúde. A norma tem como base a Recomendação CRM-PR 1/2025 e busca
padronizar os procedimentos adotados pelos profissionais da rede pública
municipal.
Entre as principais orientações aos médicos, o
decreto determina que os atestados sejam emitidos apenas quando a condição
clínica do paciente justificar o afastamento de atividades laborais ou
escolares, pelo período estritamente necessário e compatível com o quadro
apresentado. O decreto também estabelece a obrigatoriedade de identificação
completa do médico e do paciente nos documentos, veda a emissão de atestados
retroativos ou sem o comparecimento do paciente, entre outras medidas.
Legenda: O secretário Ali Haidar (na esquerda) durante reunião com diretores da Acic
Crédito: Assessoria