A necessidade de transformar Cascavel e o Oeste do Paraná em ambientes produtivos ainda mais competitivos pautou o encerramento do Mês da Indústria, na noite de segunda-feira, 25, na Sala Paraná, na Acic. O encontro reuniu industriais, líderes empresariais e autoridades em torno de um debate sobre gargalos, modernização, inovação e estratégias para garantir crescimento sustentável ao setor.
As apresentações foram conduzidas pelo
vice-presidente da Acic para Assuntos de Inovação, Marco Portes, e pelo
coordenador dos Conselhos Regionais da Fiep, Rafael Amaral. Também participaram
o vereador Hudson Moreschi, autor da lei que inseriu o Mês da Indústria no
calendário oficial de Cascavel, e a secretária de Desenvolvimento Econômico, Margarida
Domingues Carneiro. O Dia da Indústria é oficialmente celebrado em 25 de maio.
Ao abordar os desafios da indústria regional,
Marco Portes defendeu que Cascavel precisa acelerar decisões estratégicas para
não perder competitividade em um cenário de transformação tecnológica e
reconfiguração econômica mundial. Segundo ele, o Oeste tem força produtiva,
vocação empreendedora e localização estratégica, mas ainda enfrenta obstáculos
estruturais que limitam o crescimento industrial.
Reflexões
Entre os pontos destacados estiveram a necessidade
de ampliação de áreas industriais planejadas, melhoria da logística, avanço da
conectividade digital, qualificação de mão de obra e fortalecimento de
ambientes de inovação capazes de aproximar empresas, universidades e centros
tecnológicos. As análises apresentadas pelo vice de Inovação utilizaram como foco
comparativo recente imersão de empresários no MIT, em Boston, uma das principais
regiões inovadoras dos Estados Unidos e do mundo.
Marco chamou atenção para a urgência da
transformação digital no setor produtivo. A inovação deixou de ser diferencial
e passou a questão de sobrevivência industrial. Ele defendeu estímulos à
modernização de máquinas, automação de processos, adoção de tecnologias
inteligentes e criação de políticas locais que incentivem empresas a inovar e a
ganhar produtividade.
Pontuou também a importância de uma política
industrial regional permanente, construída de forma integrada entre setor
produtivo e poder público, com foco na redução de burocracias, segurança
jurídica e atração de investimentos. Um dos exemplos que ele trouxe do MIT foi
a hélice quíntupla. São elas: universidade, grandes empresas, startups, capital
de risco e governo/governanças. E o Oeste, conforme Marco, conta com estrutura
semelhante para tonificar seu crescimento. E o caminho é: diagnóstico/aceleração,
financiamento direcionado e captura de valor.
Política Industrial
Rafael Amaral apresentou diretrizes da construção
da Política Industrial do Paraná, iniciativa coordenada pela Fiep e
desenvolvida a partir da participação de cerca de quatro mil empresários,
especialistas e lideranças. O trabalho consolidou quase 200 ações estratégicas
organizadas em quatro eixos centrais: condições institucionais, dinamização
econômica, infraestrutura produtiva e produtividade e capacidades.
O coordenador da Fiep, que falou também de
caminhos para a construção de um plano de desenvolvimento local da indústria,
destacou que muitos dos gargalos enfrentados pela indústria do Oeste se repetem
em diferentes regiões do Estado: excesso de burocracia, insegurança jurídica,
dificuldade logística, necessidade de energia confiável e escassez de mão de
obra qualificada.
Segundo ele, o Paraná precisa fortalecer sua
capacidade de planejamento industrial de longo prazo, com governança baseada em
inteligência econômica, decisões técnicas e monitoramento contínuo de
resultados. O vereador Hudson destacou a importância de Cascavel reconhecer
oficialmente o Mês da Indústria, valorizando um setor responsável pela geração
de empregos, renda e desenvolvimento econômico. Margarida reforçou que o
município busca estreitar a relação com o setor produtivo para estimular novos
investimentos e ampliar oportunidades.
I de Indústria
No encerramento, o presidente da Acic, Marcio
Blazius, afirmou que a indústria precisa ocupar posição central nas discussões
sobre o futuro de Cascavel. “O ‘I’ da Acic tem enorme significado. Ele
representa um setor que transforma matéria-prima em desenvolvimento,
tecnologia, empregos e oportunidades. Uma cidade forte economicamente passa,
necessariamente, por uma indústria forte, inovadora e preparada para competir”,
destacou Marcio Blazius.
Legenda: Encerramento das atividades do Mês da Indústria na noite de segunda-feira, na Sala Paraná, na Acic
Crédito: Assessoria