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Mackeenzy fala da era dos seres híbridos

Sexta, 05 Abril 2019 12:18

A tecnologia muda profundamente o trabalho, as relações e as perspectivas das pessoas. Nem conceitos que pareciam consolidados resistem ao poder da inovação. Analfabeto deixou de ser quem não sabe ler e escrever, agora são aqueles que não conseguem se relacionar com as máquinas. “Vivemos a era dos seres híbridos. De pessoas o tempo todo conectadas com ferramentas desenvolvidas pelos novos conhecimentos tecnológicos para trazer facilidades e ganhos na execução das mais diferentes tarefas”, disse durante palestra magna de inauguração do Acic Labs, quinta-feira à noite, o empresário e mentor Edson Mackeenzy.

As pessoas que não tiveram habilidade de se conectar, de aprender e se integrar a esse novo momento da humanidade estarão, em breve, fora do jogo, alertou Edson, que em 2017 foi eleito por especialistas em inovação o melhor mentor de empresas do Brasil. Ao mesmo tempo em que vira tudo de cabeça para baixo e obriga a pensar de um jeito diferente, a tecnologia tem a escala e a redução de custos como aliadas. “No passado, tínhamos a máquina fotográfica de filme, caríssimo. Eram de 12, 24 ou 36 poses e tínhamos que torcer para as fotos ficar boas. Agora, todos têm câmera fotográfica e filmadora no celular, de graça”.

O ambiente de trabalho também evolui na era da inovação. O jeito antigo de cumprir expediente, ensinado por uma sirene a partir da escola, onde também foram popularizados os uniformes, deixa de existir. Agora, as pessoas estão conectadas em qualquer lugar e podem cumprir suas tarefas onde quer que estejam. “O meu escritório é o meu celular”, afirmou Edson. E não é mais o dinheiro que motiva as pessoas a “venderem” o seu talento e a sua capacidade de trabalho, e sim uma causa, um propósito. “Quanto melhor e mais autêntica, mais ela conquistará o colaborador”, disse o mentor, para então emendar: “Se você não está em busca de uma solução é porque você é parte do problema”.

 

Estranhos

No cenário das startups, que aniquilam o jeito convencional de empreender, a busca e o aprendizado está em se relacionar com o estranho. Experimentar, testar, persistir e deslocar-se com desenvoltura nos ambientes mais diferentes, aqueles que em outros tempos você, por nada, frequentaria. É preciso também, disse Edson Mackeenzy, cultivar a capacidade de se indignar com tudo. De se perguntar como seria possível fazer diferente, melhor e com menos custos aquilo que está à sua frente. Isso é inovar, ressaltou. No mundo disruptivo não há mais espaço para a competição, o que existe e é largamente difundido é a cooperação ou a competição colaborativa, na qual todos são parceiros e jogam no mesmo time.

As empresas, principalmente as mais antigas, precisam se reinventar, caso contrário correm risco de desaparecer. Edson falou que há anos dá mentoria a uma montadora de automóveis multinacional. “E eles já perceberam que ter um carro deixa de ser o mais importante para um número crescente de consumidores. O que se busca é usar o carro e não mais possuí-lo. Assim, o foco dessa empresa passa a ser oferecer serviços e não mais essencialmente vender o veículo”. Os empresários ligados à Acic têm a partir de agora uma grande chance para se desafiar e repensar os seus negócios. “Estão de parabéns os idealizadores do Acic Labs, um espaço que conectará empresas ao futuro dos negócios”, destacou Edson Mackeenzy.

O mercado está disponível para todos e levará vantagem aqueles que souberem decifrar com mais assertividade o que a próxima geração de consumidor busca e espera encontrar em um produto ou serviço. Uma dica determinante e consensual está na interação e na pluralidade do que se levará ao mercado. “A única forma de construir o futuro está em imaginá-lo, em construir novos modelos de trabalho. São essas atitudes que vão nos guiar ao que, de fato, o futuro nos reserva nos mais diversos campos das nossas vidas e no cotidiano das nossas empresas”. Cada vez mais o propósito vai determinar o que as companhias e as pessoas fazem e almejam.